Deixa o mar ferver, deixa o sol despencar
Deixa o coração bater, se despedaçar
Chora depois, mas agora deixa sangrar
Deixa o carnaval passar
O álbum começa ritmado e quase que linear com as músicas “Lua” (até começar o vigoroso refrão!), com uma letra encantadora, e “Segunda Pele“, que parece ser a segunda pele da primeira, com frases arrastadas e uma levada meio hipnotizante. A terceira música é a divertida “Bem a sós“, que transforma uma ação banal do dia-a-dia em uma (bonita) música. Conforme vai avançando, o álbum vai evoluindo. É quando começa “O nego e eu“, com o ritmo de samba brasileiro característico de muitas músicas de Roberta Sá que todos já conhecem de outras obras-primas. É incrível (e natural) como a voz dela se encaixa perfeitamente em cada nota, não precisando fazer semitonadas para entrar na próxima sílaba. Cada palavra estando onde deveria estar, é uma das melhores faixas. Roberta, transparentemente não afim é como nós ficamos completamente “afins” de “Altos e Baixos“, quinta faixa do CD – que, no começo, me pareceu uma inspiração um pouco mais melodiosa da imortal Águas de Março. É claro que não pode faltar uma música cheia de letra, música e sentimento. “Você não poderia surgir agora” surge em um momento mais que oportuno na continuação de uma obra que não tem tempo para pausa. Já tendo surgido agora, alguma coisa diz pra você não ir embora porque eu quero mais.
A próxima da lista é “Esquirlas” escrita por Jorge Drexler, que aqui canta com Roberta – sonho que ela realizou. Há quem não goste dessa mistura de línguas em um álbum. Para mim, caiu bem: a música é linda e tem um clima tropicaliente – que, aliás, está no disco inteiro. Já bem familiar para os fãs da cantora (e para os simpatizantes), “Pavilhão de espelhos” está aqui com 9ª faixa e é uma grande obra de arte no álbum. Ainda bem! “No bolso” traz essa percussão que remete muito às raízes da cantora. Típica faixa para cantar junto com os amigos dançando ao redor de si mesmos, na pior das hipóteses. Pena que é curtinha, dá vontade de ouvir mais. Já que começamos a dançar, por quê não entrar em clima de carnaval? É isso que nos propõe a música “Deixa sangrar”. Sem palavras para comentar, é uma música digna de fazer sucesso no carnaval e embalar a alegria de toda e qualquer pessoa. “A brincadeira” traz flautas e tambores com a levada de música de raiz. Roberta deixa explícito nesse álbum o que tem de melhor para mostrar com relação a musica brasileira vinda das suas origens. E é assim que nos traz “No arrebol” para fechar mais um ótimo álbum.
Nota: * * * *
P.S.: A piadinha do título é inevitável!


